terça-feira, 2 de setembro de 2025

Quase tudo pode o cansaço me tirar:
O ânimo;
As vontades;
A alegria.

Mas tem uma coisa que nem ele pode cegar:
Os olhos da imaginação.

Esses que veem um tubarão iluminado 
adentrando a baía de Guanabara.
Que teima, diante do terror 
dos carros enfileirados,
que a lataria não vence a poesia.
Ao contrário, também ela é sua matéria,
já me ensinou o poeta das miudezas.

Esses que miram as ondulações sem fim
e veem a inevitabilidade do movimento.
O tédio espesso e largo
escorrendo azul petróleo.
Encapsulado em containers 
de contornos retilíneos.

Esses olhos, cansados sim,
mas jamais mortos, feito
peixes envenenados
sob a capa grossa d'água.

São olhos de tartaruga,
fundos e atentos.
Ainda que submersos,
não se esquecem de subir à superfície
buscar o que o sono não lhes ofereceu,

Isto é,

Os sonhos travessos
desaguando intrépidos
nas bochechas do dia.

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