O ânimo;
As vontades;
A alegria.
Mas tem uma coisa que nem ele pode cegar:
Os olhos da imaginação.
Esses que veem um tubarão iluminado
adentrando a baía de Guanabara.
Que teima, diante do terror
dos carros enfileirados,
que a lataria não vence a poesia.
Ao contrário, também ela é sua matéria,
já me ensinou o poeta das miudezas.
Esses que miram as ondulações sem fim
e veem a inevitabilidade do movimento.
O tédio espesso e largo
escorrendo azul petróleo.
Encapsulado em containers
de contornos retilíneos.
Esses olhos, cansados sim,
mas jamais mortos, feito
peixes envenenados
sob a capa grossa d'água.
São olhos de tartaruga,
fundos e atentos.
Ainda que submersos,
não se esquecem de subir à superfície
buscar o que o sono não lhes ofereceu,
Isto é,
Os sonhos travessos
desaguando intrépidos
nas bochechas do dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário