Mãe,
esta palavra vital,
palavra de carne
e de sangue
umbilical.
Mãe,
palavra de ordem
(não esta ordem
patriarcal):
unifica as poeiras,
organiza o caos.
Mãe,
palavra longitudinal,
de poço profundo,
nesta palavra cabe
todo o espaço do mundo.
Mãe,
porque o céu é azul?
o que significa um segundo?
é das perguntas que nasce
termo tão fecundo.
Mãe,
nas mãos tem vida
e tem morte,
sua pá lavra toda
e qualquer sorte.
Mãe,
é o princípio e o norte;
é o vaso que enche
sem jamais transbordar.
Mãe,
nas bordas do nome
costura o tempo anelar,
nos ecos das sílabas
sibila tramas:
tanta teia a tatear.
Mãe,
nestes fonemas
vociferam
turvas vozes
tantas vezes
abafadas:
Mãe
(esta palavra em fúria),
desata os nós que
não podemos desatar,
transforma o passo
ao por nós passar.
Mãe,
do teu compasso
faço esse ritmo,
pois que no palato
dança este vasto
e íntimo ofício:
o de com palavras
tecer com fios de
som e sentido
até do nada nascer
um poema
pulsando vivo.
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